Cancelamento do São João de Santa ganha repercussão na mídia nacional

Redação
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Cancelamento do São João de Santa ganha repercussão na mídia nacional

O impasse político entre a Prefeitura de Santa Rita e a Câmara de Vereadores que resultou no cancelamento da edição 2026 do São João da cidade, que fica localizada na Região Metropolitana de João Pessoa, ganhou repercussão nacional com reportagem publicada no portal Uol, um dos veículos de comunicação online mais acessados do país.

De acordo com com o texto assinado pelo jornalista Carlos Madeiro, embate entre Prefeitura e Câmara gira em torno da liberação de R$ 12 milhões para a realização da festa junina, considerada a mais cara do estado.

Segundo a matéria, a falta de acordo entre os poderes Executivo e Legislativo levou ao bloqueio dos recursos, inviabilizando a contratação de artistas e a montagem da estrutura do evento. A disputa também teve forte componente político, com acusações de ambos os lados sobre responsabilidade pelo cancelamento.

O texto destaca que a crise ocorre em um momento de aumento dos custos das festas juninas em todo o Nordeste, com cachês elevados de artistas e pressão de órgãos de controle sobre os gastos públicos. 

A reportagem também aponta que o cancelamento pode ter reflexos políticos, já que o São João costuma ser vitrine para gestões municipais e instrumento de fortalecimento de lideranças locais.

Clique aqui ou confira abaixo a matéria completa no Uol:

Briga entre prefeito e Câmara por R$ 12 milhões cancela São João mais caro da Paraíba

A edição de 2026 do São João mais caro da Paraíba está cancelada. A Prefeitura de Santa Rita (na Grande João Pessoa) fez um comunicado oficial na sexta-feira alegando que a medida foi tomada porque a Câmara de Vereadores realizou um “confisco do orçamento” e, sem a certeza de recursos, não há como contratar artistas de renome nacional.

Na nota, a prefeitura diz que a culpa é da Câmara Municipal, “que retirou aproximadamente R$ 12 milhões do orçamento da Secretaria de Cultura, Desporto, Turismo e Lazer”.

Por trás da decisão há uma briga política entre correligionários: o prefeito Jackson Alvino (PP) e o presidente da Câmara, Epitácio Viturino, que integram o mesmo partido, mas são rivais declarados. Um culpa o outro pelo problema.

São João milionário

Em 2025, Santa Rita fez o São João mais caro da Paraíba, segundo auditoria do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Veja ranking:

  • Santa Rita – R$ 11.301.500,00
  • Sapé – R$ 7.799.759,97 53
  • Santa Luzia – R$ 7.596.345,75
  • Monteiro – R$ 4.443.103,83
  • João Pessoa – R$ 3.077.907,66
  • Esperança – R$ 2.962.175,54
  • Conceição – R$ 2.586.275,76
  • Campina Grande – R$ 2.374.384,00
  • Cabedelo – R$ 2.350.666,78
  • Cajazeiras – R$ 2.163.022,27

No ano passado, o São João de Santa Rita teve atrações como Wesley Safadão, Bell Marques, Xand Avião e Matheus & Kauan.

A coluna perguntou à Prefeitura de Santa Rita qual era o valor estimado da festa em 2026, mas não obteve retorno. A matéria será atualizada em caso de resposta.

O que houve este ano

Segundo a nota da prefeitura, a Câmara fez um remanejamento que “esvaziou os recursos destinados não apenas ao São João, mas a todas as nossas tradições: Carnaval, festas de padroeiros e procissões”.

A nota cita que, para tentar salvar o evento, o prefeito enviou um projeto de lei para recompor o orçamento. “Mesmo com parecer favorável da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], o presidente da Câmara recusa-se sistematicamente a pautar a votação, mantendo a cultura de Santa Rita como refém”.

Ele afirma que, na sexta-feira, “mais uma sessão foi cancelada sob o pretexto de uma ‘dedetização’ no prédio do Legislativo”.

“Devido à insegurança orçamentária causada pelo Legislativo, artistas e bandas de renome nacional já cancelaram suas agendas com nosso município. Sem a garantia legal de pagamento, Santa Rita perdeu seu lugar no calendário dos grandes eventos do Nordeste”, diz.

“O cancelamento não fere apenas a nossa alegria. Ele golpeia a economia local: hotéis, restaurantes, motoristas de aplicativo, vendedores ambulantes e o comércio em geral deixarão de faturar milhões de reais que circulariam em nossa cidade. A gestão municipal reafirma que esgotou todos os esforços administrativos. No entanto, não há condições legais para realizar festividades sem orçamento. A responsabilidade por este silêncio e pelo fim do nosso São João recai, inteiramente, sobre a omissão da presidência da Câmara Municipal”, diz a nota da prefeitura.

Presidente da Câmara rebate

Em conversa com o UOL, o presidente da Câmara rebate os argumentos da prefeitura e alega que o remanejamento dos valores do orçamento 2026 foi aprovado pelos vereadores e sancionado pelo prefeito. “É um absurdo, eu não tenho poder nenhum de acabar com o São João”, afirma.

Ele diz que, inicialmente, o município enviou uma proposta na lei do orçamento de R$ 12 milhões para a pasta Cultura. Entretanto, os vereadores remanejaram R$ 9 milhões para outras áreas, como saúde e educação. “Ele poderia ter vetado o orçamento enviado pela Câmara, mas não vetou, depois veio com esse discurso”, completa.

Epitácio diz que a ideia dos vereadores foi reduzir os custos do São João. “Campina Grande [maior São João do estado] fez a festa gastando R$ 2,3 milhões. Mas a cidade se organizou antes, fez parceria público-privada e realizou 30 dias de festa. Aqui foram mais de R$ 11 milhões em 16 dias. É preciso planejamento, e o prefeito não teve”.

“Sou a favor do São João, eu gosto de festa, eu vou, mas tudo tem que ter responsabilidade. Ele pode fazer, mas com recuso menor”, diz Epitácio Viturino (PP), presidente da Câmara de Vereadores de Santa Rita.

Sobre culpá-lo pela não realização da festa, o presidente da Câmara cita que o interesse é político.

“Ele está falando pelo lado pessoal, porque sou oposição, e todo dia estou na rede social falando do roubo de lixo, da escola sem merenda, dos postos sem médico”, afirma.

Já sobre a votação do projeto de lei que prevê o remanejamento de R$ 12 milhões para a pasta da cultura, ele diz que a Câmara está dentro do prazo legal para análise.

“Para votar, tem de liberar a pauta primeiro; e o que está travando a pauta são os vereadores da base, que toda vez têm saído das sessões quando coloco para votar qualquer tipo de projeto. Ele [prefeito] tem 12 vereadores [aliados], e sem eles não têm quórum [são 19 parlamentares ao todo]”.

Público dividido

O cancelamento do São João dividiu opiniões de moradores que se manifestaram em redes sociais. Entre os que reclamaram, estão prioritariamente os comerciantes, que alegam que vão ficar no prejuízo pelo cancelamento.

“Meus Deus, meu caminhão de botas chegando agora em abril esse ano dobrei meu pedido com as fábricas ESSA FOI TRISTE! A festa movimenta a economia, esperando o ano inteiro por esse momento! Lamentável”, comenta o perfil de uma sapataria do município.

“É hora de se unir, galera! Nós, comerciantes da cidade, não podemos desistir! Meses de preparação não podem ser em vão! Vamos levantar a voz e mostrar que juntos somos mais fortes! Vamos fazer o São João acontecer, por nós, pela cidade e pela nossa comunidade!”, comenta um comerciante.

Já outros moradores aprovaram o cancelamento por conta do valor de recursos públicos que seriam investidos na festa junina.

“Cultura é nossos filhos estarem seguros nas escolas públicas e terem uma merenda de boa qualidade. Para ter atendimento nos PSF temos que madrugar nas portas. Faltam fardamentos nas escolas, falta saneamento básico em nossa cidade. E as demais coisas”, comenta uma moradora.

“Todo mundo tem que perder alguma coisa. Muita gente dependendo de saúde, segurança, ruas esburacadas, cidade sem saneamento. Grande parte da população perder isso todos os dias, nada mais justo que outras pessoas perderem o são João também”, comenta um morador.

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