Evilásio aposta em faxina administrativa para tentar reconstruir a confiança em Cabedelo

Redação
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Evilásio aposta em faxina administrativa para tentar reconstruir a confiança em Cabedelo

O atual prefeito de Cabedelo, Evilásio Cavalcanti, chegou à Prefeitura por um caminho que ninguém planeja percorrer. Sua posse não foi resultado de uma disputa eleitoral comum, mas do desmoronamento político e administrativo que atingiu o município nos últimos anos.

Antes dele, André Coutinho já havia sido afastado. Depois, Edvaldo Neto, eleito na chapa com Evilásio, acabou impedido de assumir em razão dos desdobramentos da Operação Cítrico, investigação que mergulhou fundo na estrutura da administração municipal.

Diante desse cenário, o novo prefeito parece ter entendido logo de saída qual seria sua principal missão: mostrar que a Prefeitura virou a página e que Cabedelo não continuará andando pela mesma estrada que levou à crise.

Os primeiros movimentos da gestão caminham exatamente nessa direção. A decisão de exonerar todos os cargos comissionados e promover uma ampla reorganização administrativa teve efeito prático, mas também um forte valor simbólico. Foram mais de cem exonerações, atingindo inclusive pessoas ligadas aos grupos políticos que tiveram influência nas administrações anteriores.

A mensagem foi direta e fácil de entender: quem assumiu quer fazer uma faxina geral na máquina pública e deixar claro que não pretende carregar nas costas os problemas herdados.

A mesma lógica apareceu na política de contenção de gastos. A gestão cancelou a programação de São João deixada pela administração anterior e optou por uma festa mais enxuta, valorizando atrações locais. O argumento foi simples: em tempos de aperto, dinheiro público precisa ser tratado com cuidado.

Nos últimos dias, outra medida reforçou essa imagem. A implantação do ponto eletrônico no serviço público municipal busca apertar o controle sobre a frequência dos servidores. Traduzindo para o português claro: quem trabalha, recebe; quem não trabalha, não deve receber salário pago pelo contribuinte.

O caso da empresa Lemon Terceirização segue a mesma linha. O prefeito decidiu suspender contratos por entender que a empresa estava atolada até o pescoço em contratações de pessoas que, segundo as suspeitas levantadas, recebiam sem dar o devido retorno ao serviço público.

Quando se observa o conjunto das medidas, fica mais fácil perceber o desenho que Evilásio tenta construir. Exonerações, corte de gastos, fiscalização mais rígida e revisão de contratos fazem parte de uma mesma estratégia: convencer a população de que a Prefeitura está passando por uma arrumação daquelas feitas de cima a baixo.

Até aqui, o prefeito vem conseguindo vender a imagem de rompimento com o passado recente. E não se pode dizer que seja uma tarefa simples. Assumir uma cidade que passou por sucessivas crises políticas é como receber uma casa depois de uma grande confusão: antes de pensar em decorar, é preciso limpar, organizar e colocar cada coisa no seu lugar.

É justamente essa a aposta de Evilásio. Mostrar, por meio de ações concretas, que Cabedelo está entrando em uma nova fase e que a confiança perdida pode, aos poucos, ser recuperada.

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