Análise: E agora, Efraim? Flávio Bolsonaro também é “fujão”?

Redação
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Análise: E agora, Efraim? Flávio Bolsonaro também é “fujão”?

Na política, a coerência costuma ser submetida a testes que nenhum discurso de campanha consegue evitar. E o senador paraibano Efraim Filho (PL) acaba de se deparar com um deles. Depois de criticar duramente o governador Lucas Ribeiro (Progressistas) por não comparecer a alguns debates durante a campanha estadual, o parlamentar vê agora o candidato à Presidência da República de seu próprio partido, Flávio Bolsonaro, anunciar que não participará do debate com Lula, marcado para o próximo domingo (18), na TV Bandeirantes.

A pergunta é inevitável: o que Efraim vai dizer agora?

Durante o primeiro turno das eleições na Paraíba, Efraim fez da ausência de Lucas em determinados debates um instrumento de crítica política. Questionou a cadeira vazia, cobrou explicações e associou o não comparecimento do governador à falta de disposição para enfrentar o contraditório.

No debate promovido pela Rádio Arapuan, em 21 de setembro, Efraim chegou a afirmar que a cadeira vazia falava mais alto do que as propostas apresentadas por Lucas na televisão. Em outra ocasião, durante debate da TV Master, questionou como a população poderia confiar em um governante que evitava confrontar os adversários.

Pois bem. O mesmo princípio não deveria valer para quem pretende governar o Brasil?

Flávio Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (13) que não participará do debate da Band. Lula confirmou presença, e a emissora informou que manterá o encontro, mesmo com a ausência de um dos candidatos.

A situação guarda uma semelhança evidente com aquela que Efraim tanto criticou na Paraíba.

É verdade que cada campanha tem sua estratégia e que nenhum candidato está legalmente obrigado a participar de todos os debates. Lucas tinha o direito de organizar sua agenda eleitoral, assim como Flávio tem o direito de decidir onde comparecer.

Mas o direito de faltar não elimina o dever de prestar contas ao eleitor. E, sobretudo, não justifica que uma mesma atitude seja tratada como sinal de fraqueza quando praticada pelo adversário e como decisão estratégica quando adotada por um aliado.

Se a ausência de Lucas justificava críticas tão contundentes, por que a ausência de Flávio deveria receber tratamento diferente?

Há ainda uma ironia adicional: o próprio Flávio já havia chamado Lula de “fujão” ao cobrar sua participação em debates. Agora, diante da oportunidade de confrontar diretamente o presidente no segundo turno, anuncia que não estará presente no primeiro encontro previsto.

Debates eleitorais não são favores prestados às emissoras. São oportunidades para o eleitor comparar propostas, identificar contradições e avaliar como os candidatos respondem a perguntas difíceis, longe do conforto dos discursos preparados.

Não se trata de defender Lula, Flávio ou qualquer outro candidato. Trata-se de defender um princípio que deveria estar acima das conveniências partidárias: a cobrança por transparência e disposição para o debate precisa valer para todos.

Efraim foi enfático ao cobrar esse comportamento de Lucas. Agora, seria coerente que aplicasse o mesmo critério ao presidenciável do PL.

O silêncio, caso seja essa a opção do senador, não demonstrará necessariamente concordância com a decisão de Flávio. Mas deixará sem resposta uma contradição política que merece esclarecimento.

Por isso, a pergunta permanece: Efraim, Flávio também é “fujão”?

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