O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou em depoimento de delação premiada que o ministro Alexandre de Moraes foi monitorado por um juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, período em que presidia a Justiça Eleitoral.
A confirmação veio à tona após a retirada do sigilo de um dos vídeos da delação, nesta quinta-feira (20), logo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar Bolsonaro e mais 33 investigados no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado.
Monitoramento foi ordenado por Bolsonaro
No depoimento, Alexandre de Moraes perguntou diretamente a Mauro Cid se ele tinha conhecimento das ações que foram realizadas para monitorá-lo. O ex-ajudante de ordens afirmou que recebeu ordens de Bolsonaro e repassou a determinação ao coronel Câmara, um dos denunciados.
“Solicitei ao coronel Câmara. Não sei quem era o contato dele. Nunca perguntei. O que eu sei era aquele ministro, aquele elemento do TSE”, afirmou Cid.
Após a resposta, o próprio Moraes corrigiu, afirmando que não se tratava de um ministro, mas sim de um juiz e que a identidade do magistrado já foi confirmada, embora seu nome ainda não tenha sido divulgado.
Bolsonaro sabia de plano para assassinar Lula, Alckmin e Moraes
A denúncia da PGR aponta que, além do monitoramento ilegal de Moraes, Bolsonaro estava ciente e aprovou a execução de ações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Alexandre de Moraes.
De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o plano, chamado de “Punhal Verde Amarelo”, foi elaborado por militares da ativa e da reserva e levado ao conhecimento de Bolsonaro enquanto ele ainda era presidente da República.
O caso segue em tramitação no STF, com a expectativa de que as investigações resultem em novas denúncias e possíveis novas prisões.




