Ortopedista explica qual é a melhor posição para dormir e evitar dores

Redação
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Ortopedista explica qual é a melhor posição para dormir e evitar dores

Dormir bem vai muito além de descansar a menteA forma como o corpo se posiciona durante a noite tem impacto direto na saúde da coluna vertebral — e pode ser a diferença entre acordar disposto ou com dor.

Segundo ortopedistas ouvidos pelo Metrópoles, não existe uma única posição “perfeita” para todo mundo, mas há princípios básicos que ajudam a proteger o corpo durante o sono.

De maneira geral, o objetivo é manter a coluna alinhada, respeitando as curvaturas naturais. Quando isso não acontece, há aumento de pressão sobre os discos intervertebrais e maior risco de desconforto ao acordar.

O que define uma boa posição para dormir

O ortopedista Alexandre Fogaça, coordenador do Núcleo de Coluna do Hospital Sírio-Libanês, resume o princípio central: “Em termos de posição para dormir, as melhores são de barriga para cima ou de lado”.

Para ele, há uma lógica simples ao deitar. A pressão sobre a coluna deve diminuir em relação a quando estamos sentados ou em pé. Ainda assim, a forma como o corpo se acomoda pode favorecer ou prejudicar esse alívio.

Dormir de bruços tende a ser a pior opção. “Dormir de barriga para baixo não é a melhor posição, pois a coluna muito dificilmente fica reta”, afirma Fogaça. Além disso, a necessidade de virar a cabeça para respirar sobrecarrega a região cervical.

As duas posições mais indicadas — de lado e de barriga para cima — podem ser adequadas, desde que feitas corretamente. Segundo Fogaça, o ajuste do travesseiro faz toda a diferença.

Ao dormir de barriga para cima, ele deve ser mais baixo, apenas para acomodar a curvatura do pescoço. Já ao dormir de lado, precisa compensar a largura dos ombros para manter o alinhamento.

O ortopedista Luciano Pellegrino, do mesmo núcleo no Sírio-Libanês, reforça que não existe regra única. “A posição ideal do sono deve respeitar as características biomecânicas individuais e as curvaturas fisiológicas da coluna vertebral”, explica.

Fatores como idade, peso e condições de saúde influenciam diretamente o conforto. Pessoas com maior índice de massa corporal, por exemplo, tendem a se beneficiar mais da posição lateral, com apoio adequado.

Quando há dor nas costas ou problemas na coluna

Quem já convive com dor ou condições como hérnia de disco precisa de atenção redobrada. Nesses casos, o alinhamento da coluna continua sendo a prioridade — mas pode exigir ajustes mais específicos. “Condições como hérnia de disco, escoliose ou dor miofascial exigem ajustes individualizados”, afirma Pellegrino.

Pequenos recursos podem ajudar. O uso de travesseiro entre as pernas, ao dormir de lado, pode contribuir para manter o quadril alinhado. Ainda assim, há uma limitação prática: muitas pessoas se movimentam durante o sono, o que dificulta manter o apoio na posição ideal ao longo da noite.

Nem sempre a escolha da posição envolve apenas a coluna. Em pessoas que roncam ou têm apneia do sono, a respiração pode determinar a melhor postura. O desafio é equilibrar a respiração adequada com o alinhamento corporal — algo que pode ser ajustado com travesseiros e posicionamento.

“Pacientes com apneia obstrutiva do sono apresentam piora clínica ao se deitar de barriga para cima (decúbito dorsal)”, explica Pellegrino. Segundo o especialista, ficar de lado costuma ser o mais indicado por favorecer a ventilação.

Colchão e travesseiro: tão importantes quanto a posição

A posição de dormir não funciona sozinha. O suporte oferecido pelo colchão e pelo travesseiro pode reforçar — ou comprometer — qualquer postura.

O colchão ideal não deve ser nem duro demais, nem excessivamente macio. Os especialistas explicam que modelos muito rígidos não se adaptam às curvaturas do corpo, enquanto os muito macios favorecem o afundamento da região da bacia. Já o travesseiro precisa manter o pescoço em posição neutra, sem deixar a cabeça caída ou elevada demais.

Para quem percebe que dorme em posições inadequadas, há uma boa notícia: o corpo pode se adaptar. “O sistema osteomuscular tem capacidade de adaptação, e a reeducação postural durante o sono é possível”, afirma Pellegrino. Em geral, a mudança leva de quatro a oito semanas, dependendo da consistência na adoção de novos hábitos.

Agora, acordar com dor frequente não deve ser ignorado. Em alguns casos, o problema pode estar relacionado à forma de dormir — mas também pode indicar condições mais sérias.

“A dor matinal recorrente pode ser um indicativo de sobrecarga mecânica inadequada durante o sono ou de patologias da coluna vertebral”, alerta Pellegrino.

Entre os sinais de atenção estão dor persistente, rigidez prolongada e sintomas que irradiam para braços ou pernas. Nessas situações, a avaliação médica é essencial.

Apesar da importância da postura ao dormir, os especialistas reforçam que a saúde da coluna não depende apenas do que acontece durante a noite. Eles destacam que fatores como atividade física regular, boa postura ao longo do dia e manutenção de um peso adequado são determinantes para prevenir dores. No fim das contas, dormir bem começa antes mesmo de deitar e passa por um conjunto de hábitos que acompanham toda a rotina. Do Metrópoles.

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