Análise: A ofensiva de Nabor que coloca a reeleição de Veneziano em xeque

Redação
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Análise: A ofensiva de Nabor que coloca a reeleição de Veneziano em xeque

A corrida pelas duas vagas ao Senado na Paraíba caminha para se transformar em uma das disputas mais acirradas das eleições 2026. Se hoje existe uma percepção quase consensual no meio político de que o ex-governador João Azevêdo entra na disputa com forte favoritismo para conquistar uma das cadeiras, a verdadeira batalha acontece pela segunda vaga. E é justamente nesse terreno que o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), surge como a principal ameaça aos planos de reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

Até poucos meses atrás, o cenário parecia relativamente confortável para Veneziano. Detentor de mandato, conhecido em todas as regiões do estado e apoiado por importantes lideranças da oposição, o senador era visto como favorito natural para renovar seu mandato. Mas a política paraibana raramente segue roteiros previsíveis. E a ascensão de Nabor, impulsionada pela musculatura política do Republicanos e pela influência do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, mudou significativamente o tabuleiro.

O grande diferencial de Nabor não está apenas em sua candidatura, mas na forma como ela vem sendo construída. Enquanto Veneziano concentra apoios predominantemente dentro do campo oposicionista, Nabor avança simultaneamente sobre bases governistas e oposicionistas. Na prática, ele se apresenta como uma alternativa capaz de receber o chamado “segundo voto” de eleitores e lideranças que já têm João Azevêdo como primeira opção para o Senado.

Esse detalhe pode parecer pequeno, mas é decisivo. Afinal, cada eleitor votará em dois candidatos ao Senado. E, historicamente, quem consegue se consolidar como segunda escolha de um grande bloco político costuma largar com enorme vantagem. É exatamente isso que Nabor vem tentando construir.

O ex-prefeito de Patos tem ampliado sua rede de apoios em ritmo acelerado. A expectativa nos bastidores é de que sua candidatura conte com o respaldo da esmagadora maioria dos prefeitos paraibanos, em uma aliança que também beneficiaria João Azevêdo. Há quem estime que os dois possam chegar ao período eleitoral com o apoio de cerca de 180 dos 223 prefeitos do estado, um capital político difícil de ser ignorado.

Mais preocupante para Veneziano é que Nabor não está avançando apenas sobre áreas tradicionalmente ligadas ao governo estadual. Ele também tem conseguido apoios dentro do próprio campo político que, em tese, deveria estar alinhado ao senador emedebista.

O exemplo mais recente veio de Guarabira. A prefeita Léa Toscano e a deputada estadual Camila Toscano, duas das principais lideranças da oposição paraibana, anunciaram apoio a Nabor para o Senado, mesmo permanecendo ao lado de Veneziano em outras frentes políticas. O gesto foi interpretado nos bastidores como um sinal claro de que a candidatura do ex-prefeito patoense começa a romper barreiras ideológicas e partidárias.

O mesmo fenômeno pode ocorrer em cidades estratégicas. Nabor trabalha para atrair o apoio dos prefeitos de João Pessoa e Campina Grande, Leo Bezerra e Bruno Cunha Lima. Ambos mantêm alinhamento com Veneziano, mas isso não impede que apoiem outro nome para a segunda vaga ao Senado. Para João Azevêdo, esse movimento talvez tenha impacto limitado, já que o ex-governador deixou o cargo com elevados índices de aprovação e tende a ter votação expressiva nos dois maiores colégios eleitorais da Paraíba independentemente dos apoios locais. Para Veneziano, porém, a situação é diferente.

Outro fator relevante é a movimentação de parlamentares influentes que podem caminhar simultaneamente com Veneziano e Nabor. Nomes como Romero Rodrigues, Fábio Ramalho e Tovar Correia Lima já aparecem como apoiadores da dupla. Em um cenário assim, Veneziano corre o risco de descobrir que outros aliados seu também poderão estar trabalhando para o principal concorrente.

As pesquisas divulgadas até agora ainda colocam Veneziano à frente de Nabor na disputa pela segunda vaga. No entanto, levantamentos recentes mostram que João Azevêdo lidera com ampla margem, enquanto a diferença entre Veneziano e os demais concorrentes não é tão confortável quanto já foi.

Em política, eleição não se vence apenas com intenção de voto. Vence-se também com estrutura, capilaridade, alianças e capacidade de ocupar espaços. E é exatamente nesses quesitos que Nabor parece estar crescendo de forma consistente.

Ainda é cedo para decretar qualquer desfecho. Veneziano continua sendo um político experiente, possui mandato, recall eleitoral e uma trajetória consolidada na política paraibana. Mas, se a tendência atual se mantiver, ele pode chegar à reta final da campanha enfrentando uma realidade que poucos imaginavam há alguns meses: disputar voto a voto a permanência no Senado contra um adversário que se especializou justamente em conquistar apoios onde ninguém esperava.

E, para quem busca a reeleição, não existe cenário mais perigoso do que ver seus próprios aliados dividindo o segundo voto com o principal concorrente.

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