Emendas de Veneziano para BR-230 são destinadas a obra que subcontratou empresas ligadas a ex-assessores

Redação
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Emendas de Veneziano para BR-230 são destinadas a obra que subcontratou empresas ligadas a ex-assessores

Recursos de R$ 210 milhões destinados pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) para a ampliação da BR-230, na Paraíba, foram utilizados em uma obra cujos consórcios responsáveis contrataram empresas que possuem vínculos societários e familiares com pessoas que tiveram relação profissional com o gabinete do parlamentar. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.

A ampliação da rodovia ocorre em dois trechos, um em Campina Grande e outro entre a região de Cabedelo. Os consórcios responsáveis pelos serviços contrataram a Selecta Construções e a Comtech, posteriormente substituída pela Com Infraestrutura e Mineração.

A relação com antigos integrantes do gabinete de Veneziano aparece na composição societária das empresas. Na época em que a Comtech foi contratada, Rodrigo Neves fazia parte da sociedade. Ele trabalhou no gabinete do senador até 2017. Atualmente, a empresa tem Edenilton Coelho como sócio único.

Outra empresa envolvida é a Selecta Construções, registrada em nome de Rômulo Pires Neto, cunhado de Rodrigo Neves. Além disso, Marcelo Neves, irmão de Rodrigo, integra o gabinete de Veneziano desde 2019.

Recursos foram destinados a partir de 2023

A verba destinada pelo senador foi inserida no Orçamento de 2023. Do montante de R$ 210 milhões, R$ 160 milhões foram indicados por meio de emendas de relator, enquanto outros R$ 50 milhões foram destinados pela Comissão de Infraestrutura do Senado.

As obras de ampliação da BR-230 haviam começado em 2017, mas foram interrompidas no ano seguinte. Os trabalhos foram retomados em 2023, período em que também ocorreu a contratação da Selecta para o aluguel de equipamentos utilizados nos canteiros.

No ano seguinte, a Comtech passou a atuar na obra. Registros mostram que, em março de 2024, a empresa ainda utilizava o nome Aqualimp Carcinicultura e tinha como atividade registrada a criação de camarões e peixes. Em maio daquele ano, houve mudança de razão social para Comtech e alteração da atividade econômica para serviços relacionados à construção e sinalização de rodovias.

Rodrigo Neves entrou formalmente na sociedade em setembro de 2024, permanecendo até junho de 2025. O contrato com o consórcio, entretanto, havia sido assinado por ele dias antes, em 2 de setembro.

Posteriormente, os trabalhadores que atuavam pela Comtech na obra foram transferidos para a Com Infraestrutura e Mineração. A empresa havia sido criada em outubro de 2024 e utilizava o mesmo endereço e telefone da Comtech. Entre os proprietários está Edenilton Coelho, que havia sido sócio de Rodrigo Neves na Comtech, além de Gabriel Mattos.

A participação das empresas na execução da obra também aparece em processos trabalhistas movidos por trabalhadores contra um dos consórcios. Nos processos, a empresa integrante do consórcio atribui à Comtech e à sua sucessora responsabilidades relacionadas a eventuais irregularidades nos canteiros.

Construtora nega interferência política

A LCM Construção e Comércio, integrante do consórcio que atua em Campina Grande, afirmou que a contratação da Comtech ocorreu após análise da documentação e da capacidade operacional da empresa.

A construtora também negou qualquer interferência de agentes públicos na escolha das empresas subcontratadas. Segundo a LCM, o contrato global da obra é estimado em R$ 550 milhões e passa por fiscalização e auditoria dos órgãos responsáveis.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela fiscalização das intervenções, informou que os serviços continuam em andamento e não sofreram interrupções.

De acordo com o órgão, desde 2023 foram pagos R$ 397 milhões pela execução das obras. Desse total, R$ 38,9 milhões tiveram origem em emendas parlamentares.

O superintendente regional do Dnit na Paraíba é Arnaldo Monteiro, que foi indicado ao cargo por Veneziano em 2023. Ele deixou a função no ano seguinte para disputar a Prefeitura de Esperança pelo MDB e foi substituído pelo irmão, Antônio Monteiro. Após a eleição, Arnaldo retornou ao comando do órgão em 2025.

Veneziano nega participação em contratações

Em manifestação sobre o caso, Veneziano confirmou que destinou os recursos para a obra, mas negou qualquer participação nas decisões administrativas relacionadas à execução do contrato.

O senador afirmou que não participa de processos licitatórios, não escolhe empresas, não indica subcontratadas, não autoriza pagamentos e não interfere na fiscalização. Segundo ele, essas atribuições são das estruturas administrativas responsáveis pela obra.

Veneziano também contestou qualquer tentativa de relacionar sua atuação parlamentar às empresas contratadas pelos consórcios. Para o senador, a destinação de recursos por meio de emendas não estabelece vínculo com decisões empresariais posteriores.

Sobre Rodrigo Neves, o parlamentar afirmou que a passagem anterior do ex-colaborador por seu gabinete não significa participação ou influência sobre as atividades empresariais desenvolvidas por ele posteriormente.

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